Os Subúrbios dentro dos Subúrbios
Onde estamos?
Durante o primeiro fórum
suburbano de políticas públicas com eixo na questão cultural, uma das questões
levantadas foi o aparato municipal em termos de equipamentos públicos de
cultura na área do subúrbio, e dentro desta questão, a relação entre áreas de planejamento.
Observar o município por área de planejamento
nos abre a dois campos muito claros de investigação ao qual devemos tentar
encontrar nossas respostas: Onde
estamos? Como somos observados?
Os Subúrbios dentro dos subúrbios:
Em um primeiro momento devemos
compreender que o suburbano não é um grupamento homogêneo, com uma forma
definida, não podemos desconsiderar que
temos subúrbios dentro de subúrbios, ruas de prosperidade dentro de bairros
completamente esquecidos, lados distintos marcados por cortes de trens, metrôs,
BRTs ou avenidas; bairros vizinhos que
conseguem representar mundos completamente distintos e verdadeiros não lugares
urbanos.
Entender a região apenas pelo recorte
das áreas de planejamento poderia nos por em um jogo perigoso, nos recortar bruscamente da relação com a
cidade e homogeneizar nossas questões, mas ao mesmo tempo não considerar tal
divisão seria desconsiderar completamente a forma como o Poder Público
municipal olha para nós, pois é perceptível em uma leve pesquisa entender como
tais áreas conseguem definir um rosto para a cidade, seguindo os mais clássicos
modelos de áreas de vocação para tais fins.
Tal debate que temos traçado nos
leva a questionar dois grandes blocos e onde exatamente se situam: a grande
Tijuca e a grande Jacaré-Paguá. A primeira
inclusa na área de planejamento 2 (que engloba grande parte da zona sul) e a
segunda na área de planejamento 4 (que engloba a barra da Tijuca) , são regiões
que se distinguem e muitas vezes se perde em nossa subjetividade.
É digno e honesto entendermos que
o olhar municipal para tais regiões não é semelhante ao que o poder público tem
sobre os seus vizinhos e companheiros de área de planejamento ao mesmo tempo
que estão além do olhar dado as outras regiões do Rio de Janeiro. É possível de se entender essas regiões como
uma área urbana de amortecimento e transição dentro do pensamento estratégico
da cidade, recebendo certas benfeitorias com a mesma qualidade que as áreas
mais ricas da cidade (entre estas metrô subterrâneo, linhas de transporte
público por exemplo) porém tendo em contra-partida algumas questões típicas do
pensamento de estratégia municipal similares as áreas das AP3 (principalmente)
.
Neste momento buscamos entender
quem somos e qual espaço nos pertence nesta cidade.
“Somos subúrbios dentro de subúrbios,
e neste sentido somos todos subúrbio em transe” – cada região com suas questões
específicas que podem vir desde a importância central de Madureira, ao completa
invisibilidade de Costa Barros ou a toda a gentrificação e processos
migratórios para Santa Cruz e Campo Grande, o subúrbio é antes de tudo este
lugar “onde não se escolheu estar” que em outrora foi espaço de concentração e
moradia da força de trabalho e hoje é esta grande pluralidade de potencias, em
busca de construir quem são.

Necessária a reflexão!!!!
Focando na História... essa marca explícita no texto do lugar invisível, do espaço de não investimentos públicos, de não reconhecimento social e cultural, vem de uma época bem demarcada. Lembrando que para os poetas e artistas a época tanto se anuncia como se espraia, percebem o sentimento a vivência... mas insisto nesse conhecer de conceitos... e de forma clara esse livro abaixo mostra bem a passagem dos espaços da área norte , do RJ, de arrabalde para "subúrbios", não consigo deixar de recomendar a leitura do dito cujo:
FERNANDES, Nelson da Nóbrega. O Rapto ideológico da Categoria Subúrbio – Rio de Janeiro 1858/1945. Editora Apicuri. RJ. 2011.
Abraços!!!
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