Primeiro Fórum Suburbano de Políticas Públicas
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| 1° Fórum Suburbano de Políticas Públicas - caminhos da cultura na zona norte do rio de janeiro |
É hora dessa gente suburbana escrever seu valor:
Mas afinal de contas, o que é o subúrbio e onde ele fica?
Mas afinal de contas, o que é o subúrbio e onde ele fica?
Quando leio que o subúrbio são zonas situadas nas proximidades de uma cidade e dependentes desta, imagino o Brasil como um imenso subúrbio dependendo de pequenas embaixadas de riqueza. Isso sempre me pareceu uma lógica invertida, como se o oceano ali estivesse por concessão da ilha e não o inverso.
Situá-lo geograficamente é tarefa ingrata. Comprimir em verbetes e metros quadrados a extensa massa de complexidade e diversidade cultural que compõem o subúrbio é uma visão diminuta, por mais esforçado, brilhante e honesto quem se lance a respondê-la.
A tentativa de defini-lo epistemologicamente é perigosa, e tende a esbarrar no etnocentrismo do lado “direito” ou “avesso” da montanha, ou uma folclorização exacerbada de flores tristes e baldias.
A tentativa de defini-lo epistemologicamente é perigosa, e tende a esbarrar no etnocentrismo do lado “direito” ou “avesso” da montanha, ou uma folclorização exacerbada de flores tristes e baldias.
Não sei se credito a Riobaldo ou a Guimarães Rosa, e sequer o que caracteriza maior honraria ao autor, duas frases que no meu entendimento são lapidares quanto a compreensão de onde fica, e o que é o subúrbio.
“Sertão: é dentro da gente.”
“O sertão é sem lugar.”
Nós somos as veredas do subúrbio que é o todo, onde a cidade programou urbanamente sua incubadora de operários, nasce o samba para atrapalhar. A cidade berrou: Vadiagem! E nós respondemos: Arte! Driblar as avarezas da servidão e o pragmatismo do capital com arte, sempre foi a nossa natureza.
Dos restos a feijoada, da exclusão o samba, da segregação o blues e o jazz, do afastamento o manguebeat, a língua do subúrbio não é o português e tampouco o carioquês, o subúrbio é sem língua e sem pátria, o subúrbio é dentro da gente.
Antes da urbanização das cidades e depois delas, o subúrbio não é delimitado pela fronteira entre as pequenas ilhas de riqueza e o grande oceano de concretude, o subúrbio é todo lugar, o subúrbio é sem lugar.
É salutar o subúrbio enxergar a si mesmo, o olhar estrangeiro já deu a contribuição necessária para o estado de coisas como são. A todas essas incursões agradecemos com honestidade, mas gritamos em momento propicio: nós não precisamos mais.
Esse fórum é um singelo convite a afirmação do que nós somos. Desde o mundo moderno o homem lança seus olhos ao mar, nós americanos somos filhos desse mundo, já não é hora do imenso mar devolver esse olhar ao pequeno continente?
Encontros suburbanos.


Lindo texto, Leynir... Inspirador... é como água da fonte, tão rara hoje em dia!!!
Para proseguir precisamos aproximar arte e ciência... e como historiadora acustumada ao terreno árido também da "invisibilidade da história do subúrbio" paro por aqui para refrescar a alma!!!
Bjus!!!
Maria Celeste.
Maria Celeste,
Suas palavras são doces veredas, muito obrigado!
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