sábado, junho 16, 2012

Primeiro Fórum Suburbano de Políticas Públicas

1° Fórum Suburbano de Políticas Públicas - caminhos da cultura na zona norte do rio de janeiro
É hora dessa gente suburbana escrever seu valor:


Mas afinal de contas, o que é o subúrbio e onde ele fica?

Quando leio que o subúrbio são zonas situadas nas proximidades de uma cidade e dependentes desta, imagino o Brasil como um imenso subúrbio dependendo de pequenas embaixadas de riqueza. Isso sempre me pareceu uma lógica invertida, como se o oceano ali estivesse por concessão da ilha e não o inverso.

Situá-lo geograficamente é tarefa ingrata. Comprimir em verbetes e metros quadrados a extensa massa de complexidade e diversidade cultural que compõem o subúrbio é uma visão diminuta, por mais esforçado, brilhante e honesto quem se lance a respondê-la.


A tentativa de defini-lo epistemologicamente é perigosa, e tende a esbarrar no etnocentrismo do lado “direito” ou “avesso” da montanha, ou uma folclorização exacerbada de flores tristes e baldias.


Não sei se credito a Riobaldo ou a Guimarães Rosa, e sequer o que caracteriza maior honraria ao autor, duas frases que no meu entendimento são lapidares quanto a compreensão de onde fica, e o que é o subúrbio.
Encerramento do 1° Fórum Suburbano de Políticas Públicas

“Sertão: é dentro da gente.”

“O sertão é sem lugar.”

Nós somos as veredas do subúrbio que é o todo, onde a cidade programou urbanamente sua incubadora de operários, nasce o samba para atrapalhar. A cidade berrou: Vadiagem! E nós respondemos: Arte! Driblar as avarezas da servidão e o pragmatismo do capital com arte, sempre foi a nossa natureza.

Dos restos a feijoada, da exclusão o samba, da segregação o blues e o jazz, do afastamento o manguebeat, a língua do subúrbio não é o português e tampouco o carioquês, o subúrbio é sem língua e sem pátria, o subúrbio é dentro da gente.

Antes da urbanização das cidades e depois delas, o subúrbio não é delimitado pela fronteira entre as pequenas ilhas de riqueza e o grande oceano de concretude, o subúrbio é todo lugar, o subúrbio é sem lugar.


É salutar o subúrbio enxergar a si mesmo, o olhar estrangeiro já deu a contribuição necessária para o estado de coisas como  são. A todas essas incursões agradecemos com honestidade, mas gritamos em momento propicio: nós não precisamos mais.

Esse fórum é um singelo convite a afirmação do que nós somos. Desde o mundo moderno o homem lança seus olhos ao mar, nós americanos somos filhos desse mundo, já não é hora do imenso mar devolver esse olhar ao pequeno continente?

Saudações suburbanas,

Encontros suburbanos.

2 Comentários:

Celeste Hug. disse...

Lindo texto, Leynir... Inspirador... é como água da fonte, tão rara hoje em dia!!!
Para proseguir precisamos aproximar arte e ciência... e como historiadora acustumada ao terreno árido também da "invisibilidade da história do subúrbio" paro por aqui para refrescar a alma!!!
Bjus!!!
Maria Celeste.

Unknown disse...

Maria Celeste,

Suas palavras são doces veredas, muito obrigado!

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