segunda-feira, julho 02, 2012

Painel 1° Fórum Suburbano de Políticas Públicas - caminhos da cultura na zona norte do Rio de Janeiro

Será que subúrbio é mesmo uma SUB URB?

A pergunta é apenas uma reflexão sobre a perversa divisão sócio espacial da nossa cidade maravilhosa. Vista assim do alto a homogeneidade territorial enche os olhos do observador, oceano e morros. Um “mar de morros” desenha nosso sitio urbano. No entanto aqui onde andamos, moramos e trabalhamos, o buraco é mais embaixo.

Fica claro que há espaços onde o poder publico não está, não esteve, ou passou batido deixando apenas algumas migalhas no caminho, que nós dão uma dica de como chegar ao centro e a zona sul, onde provavelmente está o fim do arco-íris.

As nossas cidades desde Pereira Passos, já sabiam como promover a organização do território, promovendo o APARTHEID urbano. O centro é super, a periferia é sub?

É visível a olhos nus a escassez de equipamento culturais no que se convencionou chamar de subúrbio, tais como: Bibliotecas, centro culturais, museus, teatros e cinemas de rua, estes últimos apropriados por grupos religiosos já faz muito “templo”.

Então faz-se necessário discutir com a população suburbana como um todo, uma forma de tirar esse espaço da invisibilidade, o primeiro fórum suburbano se iniciou neste processo. Agora o painel suburbano de políticas publicas para o subúrbio carioca pretende reunir propostas a serem encaminhadas as autoridades no sentido de promover o debate entre o poder publico e o poder do publico.

O painel acontecerá no centro cultural CASARTI em Vista Alegre, dia 22 de Julho a partir das 13:00.
 

sexta-feira, junho 22, 2012

Os Subúrbios dentro dos Subúrbios


Onde estamos?

Durante o primeiro fórum suburbano de políticas públicas com eixo na questão cultural, uma das questões levantadas foi o aparato municipal em termos de equipamentos públicos de cultura na área do subúrbio, e dentro desta questão, a relação entre áreas de planejamento.

Observar o município por área de planejamento nos abre a dois campos muito claros de investigação ao qual devemos tentar encontrar nossas respostas:  Onde estamos? Como somos observados?

Os Subúrbios dentro dos subúrbios:

Em um primeiro momento devemos compreender que o suburbano não é um grupamento homogêneo, com uma forma definida,  não podemos desconsiderar que temos subúrbios dentro de subúrbios, ruas de prosperidade dentro de bairros completamente esquecidos, lados distintos marcados por cortes de trens, metrôs, BRTs ou avenidas;  bairros vizinhos que conseguem representar mundos completamente distintos e verdadeiros não lugares urbanos.

Entender a região apenas pelo recorte das áreas de planejamento poderia nos por em um jogo perigoso,  nos recortar bruscamente da relação com a cidade e homogeneizar nossas questões, mas ao mesmo tempo não considerar tal divisão seria desconsiderar completamente a forma como o Poder Público municipal olha para nós, pois é perceptível em uma leve pesquisa entender como tais áreas conseguem definir um rosto para a cidade, seguindo os mais clássicos modelos de áreas de vocação para tais fins.

Tal debate que temos traçado nos leva a questionar dois grandes blocos e onde exatamente se situam: a grande Tijuca e a grande Jacaré-Paguá.  A primeira inclusa na área de planejamento 2 (que engloba grande parte da zona sul) e a segunda na área de planejamento 4 (que engloba a barra da Tijuca) , são regiões que se distinguem e muitas vezes se perde em nossa subjetividade.

É digno e honesto entendermos que o olhar municipal para tais regiões não é semelhante ao que o poder público tem sobre os seus vizinhos e companheiros de área de planejamento ao mesmo tempo que estão além do olhar dado as outras regiões do Rio de Janeiro.  É possível de se entender essas regiões como uma área urbana de amortecimento e transição dentro do pensamento estratégico da cidade, recebendo certas benfeitorias com a mesma qualidade que as áreas mais ricas da cidade (entre estas metrô subterrâneo, linhas de transporte público por exemplo) porém tendo em contra-partida algumas questões típicas do pensamento de estratégia municipal similares as áreas das AP3 (principalmente) .

Neste momento buscamos entender quem somos e qual espaço nos pertence nesta cidade.

“Somos subúrbios dentro de subúrbios, e neste sentido somos todos subúrbio em transe” – cada região com suas questões específicas que podem vir desde a importância central de Madureira, ao completa invisibilidade de Costa Barros ou a toda a gentrificação e processos migratórios para Santa Cruz e Campo Grande, o subúrbio é antes de tudo este lugar “onde não se escolheu estar” que em outrora foi espaço de concentração e moradia da força de trabalho e hoje é esta grande pluralidade de potencias, em busca de construir quem são.

sábado, junho 16, 2012

Primeiro Fórum Suburbano de Políticas Públicas

1° Fórum Suburbano de Políticas Públicas - caminhos da cultura na zona norte do rio de janeiro
É hora dessa gente suburbana escrever seu valor:


Mas afinal de contas, o que é o subúrbio e onde ele fica?

Quando leio que o subúrbio são zonas situadas nas proximidades de uma cidade e dependentes desta, imagino o Brasil como um imenso subúrbio dependendo de pequenas embaixadas de riqueza. Isso sempre me pareceu uma lógica invertida, como se o oceano ali estivesse por concessão da ilha e não o inverso.

Situá-lo geograficamente é tarefa ingrata. Comprimir em verbetes e metros quadrados a extensa massa de complexidade e diversidade cultural que compõem o subúrbio é uma visão diminuta, por mais esforçado, brilhante e honesto quem se lance a respondê-la.


A tentativa de defini-lo epistemologicamente é perigosa, e tende a esbarrar no etnocentrismo do lado “direito” ou “avesso” da montanha, ou uma folclorização exacerbada de flores tristes e baldias.


Não sei se credito a Riobaldo ou a Guimarães Rosa, e sequer o que caracteriza maior honraria ao autor, duas frases que no meu entendimento são lapidares quanto a compreensão de onde fica, e o que é o subúrbio.
Encerramento do 1° Fórum Suburbano de Políticas Públicas

“Sertão: é dentro da gente.”

“O sertão é sem lugar.”

Nós somos as veredas do subúrbio que é o todo, onde a cidade programou urbanamente sua incubadora de operários, nasce o samba para atrapalhar. A cidade berrou: Vadiagem! E nós respondemos: Arte! Driblar as avarezas da servidão e o pragmatismo do capital com arte, sempre foi a nossa natureza.

Dos restos a feijoada, da exclusão o samba, da segregação o blues e o jazz, do afastamento o manguebeat, a língua do subúrbio não é o português e tampouco o carioquês, o subúrbio é sem língua e sem pátria, o subúrbio é dentro da gente.

Antes da urbanização das cidades e depois delas, o subúrbio não é delimitado pela fronteira entre as pequenas ilhas de riqueza e o grande oceano de concretude, o subúrbio é todo lugar, o subúrbio é sem lugar.


É salutar o subúrbio enxergar a si mesmo, o olhar estrangeiro já deu a contribuição necessária para o estado de coisas como  são. A todas essas incursões agradecemos com honestidade, mas gritamos em momento propicio: nós não precisamos mais.

Esse fórum é um singelo convite a afirmação do que nós somos. Desde o mundo moderno o homem lança seus olhos ao mar, nós americanos somos filhos desse mundo, já não é hora do imenso mar devolver esse olhar ao pequeno continente?

Saudações suburbanas,

Encontros suburbanos.

quinta-feira, junho 14, 2012

Para que serve este blog?

Inicia-se aqui um espaço de discussão coletiva sobre o que é, para
quem são, e por que é o subúrbio?

A razão desse blog existir é a vontade de aglutinar pessoas e pontos
de vista diferentes, com apenas um comum: o subúrbio como questão.
Não nós interessa sua cor, sua religião ou falta de, o bairro aonde
você vive, o bairro aonde se criou ,e desde que entenda que este é um
espaço aberto e livre, também não nós interessa o seu Partido, ou
falta de.

É hora de falarmos por nós mesmos, vamos construir juntos esse movimento.
Nosso silencio gerou nossa loucura,  mas nossa voz enlouquecerá os outros!
O que nós estamos propondo a vocês queridos amigos, é só isso: fale!